Lula recebeu só 6% do número de deputados e senadores que Bolsonaro teve agenda no 1º ano de governo

Foto: Wilton Junior/Estadão

No começo do seu terceiro mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou de priorizar o contato direto com deputados e senadores, transferindo essa responsabilidade para seus ministros. O pouco contato de Lula com congressistas fica evidente na comparação com o antecessor, Jair Bolsonaro (PL): o petista esteve com deputados apenas 13 vezes do início do governo até meados de outubro. Senadores foram recebidos apenas 8 vezes, segundo a agenda pública do presidente da República, o que totaliza 21 agendas com parlamentares. Já Bolsonaro recebeu deputados em 259 ocasiões e senadores estiveram reunidos com ele em 90 oportunidades, somando 349 agendas.

É possível contar nos dedos das mãos os congressistas recebidos por Lula até agora, e que constam na agenda oficial. A prioridade é para os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG); além de nomes do próprio PT, como os deputados José Guimarães (CE) e Gleisi Hoffmann (PR) e o senador Jaques Wagner (BA). Com exceção deste quinteto, Lula só esteve com outros três integrantes do Legislativo.

Assim como Lula, Bolsonaro também priorizou congressistas próximos, como os ex-deputados Major Vitor Hugo (PSL-GO), então líder do governo na Câmara; e Joice Hasselmann, então líder no Congresso. Os filhos Eduardo e Flávio, com mandatos na Câmara e no Senado, foram recebidos 13 e 25 vezes, respectivamente. No entanto, a agenda mostra também vários encontros com líderes partidários.

O levantamento do Estadão usou dados organizados pela ferramenta Agenda Transparente da organização Fiquem Sabendo (FS). A FS é uma organização especializada no acesso a informações públicas. O levantamento diz respeito às agendas ocorridas até o dia 11 de outubro, última data disponível nos dados.

Procurada, a Presidência da República disse que Lula tem mantido “diálogo regular” com os congressistas durante reuniões, viagens e agendas públicas das quais os políticos participam. Na terça (31), o petista recebeu líderes das bancadas da Câmara para instalar um “conselho político da coalizão” – um encontro similar com os chefes das bancadas do Senado está previsto para esta semana, segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência.

Nos últimos dias, o presidente vem dizendo a aliados que pretende participar mais ativamente da articulação política de seu governo. Lula quer se encontrar mais com políticos quando estiver totalmente recuperado da cirurgia recente no quadril e nas pálpebras, ocorrida no fim de setembro.

A articulação política no Planalto enfrenta uma fase ruim, especialmente no Senado. Na semana passada, a Casa rejeitou o nome do advogado Igor Roque, escolhido por Lula para comandar a Defensoria Pública da União (DPU), órgão que presta assessoria jurídica a brasileiros pobres. No plenário do Senado, Roque recebeu 38 votos contrários – o que indica que até mesmo senadores aliados ao Planalto votaram contra a indicação dele.

Estadão Conteúdo

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