Projeção de deficit em 2023 já é maior que o valor da PEC fura-teto


Foto: Sergio Lima/Poder 360
A projeção do deficit primário para 2023 de R$ 177,4 bilhões, apresentado pelo Ministério da Fazenda, coincide com os cerca de R$ 170 bilhões que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu aprovar no Congresso ainda em 2022 para gastar neste ano fora do limite do teto de gastos.

A coincidência dos valores da PEC fura-teto com o deficit mostra que o espaço liberado para o governo gastar a mais neste ano impactou diretamente no resultado primário de 2023. Isso porque o Executivo pôde gastar sem se preocupar com novas receitas. E tampouco estava sujeito ao teto de gastos, que impediria o avanço no uso de recursos públicos. Menos da metade do valor total da PEC foi destinado ao aumento do Bolsa Família. Lula prometeu que, caso vencesse as eleições, o valor do auxílio ficaria em R$ 600. Para essa finalidade, foram destinados R$ 75 bilhões.

O aumento de outros gastos não eram, necessariamente, promessas de campanha. A alta nos gastos deu um impulso curto para a economia, mas não refletiu na popularidade presidencial.

Mesmo com o espaço extra para gastar a mais em 2023, pesquisa AtlasIntel de 17 a 20 de novembro mostrou o presidente com 43% de avaliação positiva e 45% de avaliação negativa.

No 1º semestre deste ano, houve uma euforia quanto ao crescimento econômico. No 1º trimestre, a alta foi de 1,9%. No 2º, bateu em 0,9%. De lá para cá, o ritmo caiu.

DEFICIT

O governo registrou rombo de R$ 75,1 bilhões nas contas públicas no acumulado de janeiro a outubro de 2023 em valores nominais. O resultado é o pior desde 2017 ao se seguir o mesmo critério, quando houve deficit de R$ 104,5 bilhões.

Ao se considerar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o rombo é de R$ 74,6 bilhões no acumulado de janeiro a outubro deste ano. É o pior saldo desde 2019, quando atingiu deficit de R$ 81,9 bilhões. Os dados são do Tesouro Nacional.

Poder 360

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